Será que sou assim tão incapaz?
Por vezes, ao retomar um trabalho, um projeto, um documento, sinto aquela sensação de desespero, de que nunca nada que farei ficará bom. De que nada será bom o suficiente. De que não sou capaz de fazer aquilo. Sou incapaz, mesmo.
Sinto desespero porque quero e tenho de acabar o trabalho. E sinto-me com medo, agoniada e com um desejo de fugir.
Sinto-o no meu estômago, que se contrai durante tanto tempo que deixa de ser algo anormal. Contrai-se, e faz-me curvar como se sentisse necessidade de o proteger. A dor, a agonia sobe pelo peito até à garganta, seca, que pica e torna difícil engolir. Até à boca seca e aos maxilares rígidos que se empurram um ao outro inconscientemente, como se me quisessem impedir de falar, de gritar a dor.
O meu pescoço mantém-se rigidamente na mesma posição durante horas, como se mantendo o pescoço parado pudesse manter a cabeça no lugar, a receber oxigénio, e me convencesse de que tudo iria ficar bem. Os meus ombros ficam enrolados em si mesmos, tentando cobrir-me a mim própria, tentando manter o meu coração no sítio, impedindo que algo me atinja. Talvez eles sintam, de facto, o peso do mundo sobre si, ou talvez percebam que só assim, tentando ser o mais pequena possível, eu consiga permanecer inteira sem me quebrar, derrotada, pelo chão.
De onde nasceu esta crença que me diz que eu não o tenho em mim? Que eu não sou suficientemente boa para fazer nada?
De onde veio? Como nasceu? Como deixei que se enraizasse de tal forma em mim que me faz duvidar do que sou capaz?
Serei assim tão pouco capaz?
Sinto desespero porque quero e tenho de acabar o trabalho. E sinto-me com medo, agoniada e com um desejo de fugir.
Sinto-o no meu estômago, que se contrai durante tanto tempo que deixa de ser algo anormal. Contrai-se, e faz-me curvar como se sentisse necessidade de o proteger. A dor, a agonia sobe pelo peito até à garganta, seca, que pica e torna difícil engolir. Até à boca seca e aos maxilares rígidos que se empurram um ao outro inconscientemente, como se me quisessem impedir de falar, de gritar a dor.
O meu pescoço mantém-se rigidamente na mesma posição durante horas, como se mantendo o pescoço parado pudesse manter a cabeça no lugar, a receber oxigénio, e me convencesse de que tudo iria ficar bem. Os meus ombros ficam enrolados em si mesmos, tentando cobrir-me a mim própria, tentando manter o meu coração no sítio, impedindo que algo me atinja. Talvez eles sintam, de facto, o peso do mundo sobre si, ou talvez percebam que só assim, tentando ser o mais pequena possível, eu consiga permanecer inteira sem me quebrar, derrotada, pelo chão.
De onde nasceu esta crença que me diz que eu não o tenho em mim? Que eu não sou suficientemente boa para fazer nada?
De onde veio? Como nasceu? Como deixei que se enraizasse de tal forma em mim que me faz duvidar do que sou capaz?
Serei assim tão pouco capaz?
Comentários
Enviar um comentário