Existem poucas sensações no mundo comparáveis à de ter uma folha branca, lisa, nova, à minha frente, à espera de ser marcada. Aquele instante antes de romper o vazio e a possibilidade infinita. Uma folha, uma tela ou mesmo um carderno, todos à espera que os marque, todos por definir. O respeito que inspira uma folha assim, a expectativa sobre o resultado, a excitação do poder de decisão, de controlar... Existe, no entanto, uma folha em branco que eu não trato dessa forma. Posso dizer que talvez seja a folha mais preciosa da minha vida. Uma folha nascida lisa e perfeita, uma folha nascida para ser marcada, para contar uma história, e para ser cuidada e acarinhada: a minha própria pele. Desejo fervorosamente voltar atrás e ter a folha lisa e branca, cheia de potencial, sentir novamente o poder, o controlo sobre ela. Desejo poder apagar todos os erros e palavras riscadas, todas as linhas tortas e inseguras, os rasgões, manchas e ... Sabem aquele projecto, aquele desenho que não gostara...
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