Direções - Uma viagem inesperada II

          Quando penso em começar uma inesperada penso em sair de casa, em percorrer um caminho conhecido, dando os primeiros passos com confiança, até chegar a um lugar que nunca percorri mas continuar mesmo assim, com ritmo e vontade. Penso em caminhar para além do que conheço, sempre em frente, sozinha com uma mochila às costas e um bastão nas mãos.
          Quando me imagino nesta jornada não penso em me perder totalmente, em andar às voltas, em desistir ou voltar para trás. Não penso em ficar parada, acampada, durante anos no mesmo lugar. Mas sim em caminhar sem parar durante muito tempo, em seguir em frente, em seguir confiantemente, aprendendo sempre algo novo, crescendo sempre mais. É uma pena que esta viagem que estou a começar não seja assim. É pena que a vida não seja assim - linear.
          Tenho de confessar que não tracei nenhum plano para esta viagem - e é fácil imaginar o meu horror por não ter um corrimão onde me agarrar ou uma estrela no céu por seguir, e por isso não posso dizer que o ritmo lento e as mil voltas que dou a cada dia me têm surpreendido totalmente. Mas sou eu. Anseio igualmente pela aventura e pelo mapa atualizado e planos feitos. Então, sim, o desejo continua aqui mas o medo também. E por isso posso ser vista a caminhar com confiança, cabeça levantada e decidida num momento, para no dia seguinte correr de volta a casa, deitar-me e tapar-me com os cobertores decidida a nunca mais dar um passo na vida. Por isso posso ser vista mais vezes a olhar desorientada à volta, sentada, perdida no meu acampamento, do que a encontrar novos lugares.
          Mas posso garantir que faz parte? Para mim, faz parte. Não posso dar um passo sem antes lutar contra o meu desejo de ficar quieta ou voltar para casa, nem posso voltar a sair de casa sem me libertar da vergonha que sinto quando volto para trás.
          Ficar parada e olhar para o céu sem me mexer durante dias seguidos também é importante. Olhar para trás com medo do que vem pela frente faz parte de quem sou e de como me movo. E regressar a casa para depois ter de fazer todo o caminho novamente é essencial. Para aprender como o céu muda todos os dias, para relembrar todas as maravilhas que vou descobrindo ao longo do caminho, esteja a caminhar em frente ou para casa, para reaprender a tentar outra vez.

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