Desculpas - Uma viagem inesperada III

          Quando decidi traçar uma linha e atribuir importância a um determinado acontecimento da minha vida não queria que ele se tornasse numa estrela (ou será melhor dizer constelação?) sobre a qual oriento e defino toda a minha vida atual.
          Quase como se tivesse criado uma fotografia do momento e uma memória congelada das emoções e tudo o que sou hoje e decido e faço, coloco-o em comparação com a minha imagem congelada na linha.
          Não queria muito ter um evento traumático sobre o qual me apoiar, qual bengala, como desculpa para tudo o que faço agora. E ao mesmo tempo, adoro-o, porque significa que não sou eu que não sou boa, significa que fui estragada pelas "circunstâncias da vida" (expressão mais vaga era impossível). É como se tivesse finalmente arranjado uma desculpa para todas as minhas falhas ou más decisões. É como se pudesse ser finalmente desculpada.
          Posso ser desculpada? Tenho desculpa? Ou invento desculpas?
          Toda esta jornada aqui mais ou menos descrita não é suposto ser um ciclo, ou um círculo. É suposto ser uma caminhada em frente. Não o digo literalmente, acho que já discuti isso. Digo-o no sentido de avançar, de crescer, enfrentar demónios e ser mais do era, fui, sou. O objetivo de tudo isto é não ficar presa ao passado e não ficar presa a quem fui.
          Se por um lado não mudou grande coisa, por outro lado existem mil e uma coisas que estão diferentes, eu incluída. Mas o que eu me esqueço muitas vezes é que eu sou uma continuidade de quem fui, não sou um recorte de revista, nem deixei de existir quando o ontem terminou. Eu sou quem sou hoje e quem fui ontem. Eu sou completamente diferente e simultaneamente a mesma - mas será que hoje apresento uma nova faceta de mim, ou simplemente a minha face continuou a ser esculpida ao ponto de a pessoa de há um ano atrás não reconhcer a face desta Margarida atual? Sou a mesma pessoa que já fui uma vez, mas sou completamente diferente.

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