Presa
Ser a princesa ou o dragão?
Tenho uma lista de coisas que quero ser, que me quero tornar. Chama-se "A Margarida deve ser" e cada vez que alguém me diz que eu não estou a preencher um dos itens que me tornariam muito mais próxima da perfeição (e portanto da felicidade), o meu coração rasga-se um pedacinho. Acho que até me faz bem ouvi-lo: "tu não és perfeita, tu não consegues tudo o que desejas, tu não és a porra de uma personagem que imaginas, escreves e vives".
É isso mesmo que eu desejo, ser perfeita, o máximo que conseguir. Manter as coisas na posições corretas, ter a postura e o aspecto mais adequado, bem como as reações, ser o que as pessoas esperam de mim, não perceberem em mim falhas, defeitos ou faltas.
Imagem engraçada esta que tenho na minha cabeça. Penso que se mantiver tudo o que está sob meu alcance com rédeas apertadas conseguirei, não sei exatamente o quê, mas talvez ser o mais "intocada" possível.
Por isso é que eu odeio pessoas. Porque não consigo antecipá-las e não consigo estar sempre pronta para elas.
Bem, ficam já a saber que esta imagem que têm de mim não é real.
Não sou a pessoa sempre feliz, sempre otimista, sempre calma ou que não parte pratos. Não sou a pessoa sempre cheia de energia e que não tem preconceitos nenhuns. Não sou apenas uma presa, indefesa neste mundo, que não tem armas para além do sorriso ou dos seus "lindos olhos azuis". Não sou uma menina delicada e inexperiente que nunca viu nada do mundo, que não sabe nada, não viu nada, não viveu nada.
Nem todos os dias tenho energia, nem todos os dias me apetece sorrir, nem sempre consigo estar bem, falar com as pessoas normalmente ou ter sequer paciência para estar com elas. Antes de pensar no lado positivo de alguma coisa faço uma lista de todas as coisas más que podem acontecer. Sempre que não me irrito com alguém, sempre que não mostro a minha irritação não é porque não a sinta é porque não quero deixar-me ver num estado tão vulnerável em que qualquer pequena coisa me vai afectar. Não magoo pessoas ou não sou agressiva por escolha porque odeio magoar pessoas. Não parto pratos (à vossa frente) porque tudo o que vocês pensam de mim pesa em cada uma das minhas decisões (yup, messed up, I know).
Mas todos os dias aprendo, me esforço para aprender que me estou a magoar a mim mesma, que estou a destruir quem sou, que não me estou a permitir viver verdadeiramente, sentir profundamente. Todos os dias me tento conhecer melhor, as minhas reações aceitáveis e adapatativas, as minhas reações "estranhas" e desadaptativas, todos os dias penso criticamente sobre os meus auto-elogios e sobre as minhas auto-críticas.
Não dei um passo de um dia para o outro. Não percebi de repente que não sou perfeita e aceitei sem piscar. Não aceito as minhas imperfeições todos os dias. Mas todos os dias faço caminho, dou um passo, às vezes para a frente, outras para trás, mas sabendo que sou eu, com imperfeições e coisas que não gosto, com capacidades e características que adoro. Sou eu, imperfeitamente imperfeita.
(escrito em Abril de 2018, concluído em Setembro de 2018)
Tenho uma lista de coisas que quero ser, que me quero tornar. Chama-se "A Margarida deve ser" e cada vez que alguém me diz que eu não estou a preencher um dos itens que me tornariam muito mais próxima da perfeição (e portanto da felicidade), o meu coração rasga-se um pedacinho. Acho que até me faz bem ouvi-lo: "tu não és perfeita, tu não consegues tudo o que desejas, tu não és a porra de uma personagem que imaginas, escreves e vives".
É isso mesmo que eu desejo, ser perfeita, o máximo que conseguir. Manter as coisas na posições corretas, ter a postura e o aspecto mais adequado, bem como as reações, ser o que as pessoas esperam de mim, não perceberem em mim falhas, defeitos ou faltas.
Imagem engraçada esta que tenho na minha cabeça. Penso que se mantiver tudo o que está sob meu alcance com rédeas apertadas conseguirei, não sei exatamente o quê, mas talvez ser o mais "intocada" possível.
Por isso é que eu odeio pessoas. Porque não consigo antecipá-las e não consigo estar sempre pronta para elas.
Bem, ficam já a saber que esta imagem que têm de mim não é real.
Não sou a pessoa sempre feliz, sempre otimista, sempre calma ou que não parte pratos. Não sou a pessoa sempre cheia de energia e que não tem preconceitos nenhuns. Não sou apenas uma presa, indefesa neste mundo, que não tem armas para além do sorriso ou dos seus "lindos olhos azuis". Não sou uma menina delicada e inexperiente que nunca viu nada do mundo, que não sabe nada, não viu nada, não viveu nada.
Nem todos os dias tenho energia, nem todos os dias me apetece sorrir, nem sempre consigo estar bem, falar com as pessoas normalmente ou ter sequer paciência para estar com elas. Antes de pensar no lado positivo de alguma coisa faço uma lista de todas as coisas más que podem acontecer. Sempre que não me irrito com alguém, sempre que não mostro a minha irritação não é porque não a sinta é porque não quero deixar-me ver num estado tão vulnerável em que qualquer pequena coisa me vai afectar. Não magoo pessoas ou não sou agressiva por escolha porque odeio magoar pessoas. Não parto pratos (à vossa frente) porque tudo o que vocês pensam de mim pesa em cada uma das minhas decisões (yup, messed up, I know).
Mas todos os dias aprendo, me esforço para aprender que me estou a magoar a mim mesma, que estou a destruir quem sou, que não me estou a permitir viver verdadeiramente, sentir profundamente. Todos os dias me tento conhecer melhor, as minhas reações aceitáveis e adapatativas, as minhas reações "estranhas" e desadaptativas, todos os dias penso criticamente sobre os meus auto-elogios e sobre as minhas auto-críticas.
Não dei um passo de um dia para o outro. Não percebi de repente que não sou perfeita e aceitei sem piscar. Não aceito as minhas imperfeições todos os dias. Mas todos os dias faço caminho, dou um passo, às vezes para a frente, outras para trás, mas sabendo que sou eu, com imperfeições e coisas que não gosto, com capacidades e características que adoro. Sou eu, imperfeitamente imperfeita.
(escrito em Abril de 2018, concluído em Setembro de 2018)
Comentários
Enviar um comentário