Não, não está tudo bem
Estamos em Agosto, um dia quente, fechado, de trovoada.
Os verões sempre foram para mim tempos de corte, de mudança, de quebra de página., então sentir-me perdida, a vaguear sem rumo, neste verão, tem permitido praticar forte e ativamente (mais que qualquer outra coisa) a minha capacidade de fuga.
Talvez tenha de colocar de lado esta necessidade de fuga pelo tempo que demorar a escrever este texto porque quero tentar ser o mais honesta possível.
Existem demasiadas perguntas e dúvidas na minha cabeça. Algumas achei que sabia a resposta, outras nunca me tinha questionado e outras achei que estava a ultrapassar e bem, a resolvê-las.
Posso estar super orgulhosa de mim por estes últimos 3 anos. Por ter passado um ano de merda e dois a ultrapassá-lo, a crescer, a sair de mim mesma e a tornar-me mais forte, mais eu própria, mais disposta a aprender sobre mim e a aceitar-me como sou. Bem, uma supresa dolorosa que estes últimos meses me trouxeram foi a sensação que eu não cresci porra nenhuma e que continuo a mesma rapariga (odeio esta definição de mim mesma), criança (não no melhor sentido), imatura, insensata. Uma não-adulta, dependente e insegura e perdida. E que continuo a não gostar de mim como sou. Mais do que o meu reflexo ao espelho, não consigo olhar para o reflexo da minha identidade e gostar de mim, não consigo aceitar que sou como sou.
Por isso me escondo em livros, romances e fantasias. Por isso me escondo nas horas de sono, nas séries de televisão, nas vidas dos meus ídolos. Por isso não me permito tirar um dia para olhar para mim mesma à luz do dia, para me desenhar, para me escutar verdadeiramente: porque sei que todo o otimismo do mundo não conseguirá chegar à parte que está partida dentro de mim, não conseguirá remendar esta dor, esta insegurança, este ódio por mim mesma.
Pensei que estivesse a melhorar, que estivesse a retirar camadas de proteção e a aprender a olhar para a minha verdadeira imagem e não para as ilusões. Pensei que estivesse a aprender a respeitar quem sou, mas acho que cai novamente, sinto que me derrubei (e deixei derrubar) e que estou a cair no poço.
Acho que tenho algumas opções pela frente, algumas decisões para tomar: deixar-me cair, fechando-me às pessoas que estão comigo, ou estender a mão, pedir ajuda para não me afogar (como prometi que faria), dar uma oportunidade a mim mesma, não desistir e não me afogar, não me isolar.
Eu sei o que vou escollher. Mas não é como se ficasse bem de um momento para o outro. Não é como se voltasse de repente à superficie e ficasse tudo bem. Não é como se me pudesse recurar a mim mesma e voltar a ser exatamente quem era no mês de Junho. Tenho uma ferida a curar, e depois mais uma cicatriz para aprender a amar. Tenho uma escadaria gigante e árdua para subir e tenho uma mão para estender (talvez a parte mais difícil). De quem era antes ficam as fotografias, as memórias e as aprendizagens. Hoje sou já um retrato mais completo e complexo de mim própria. Sou eu mais profundamente representada, mais detalhadamente descrita, mais dolorosamente consciente.
Posso não gostar de muitas coisas em mim, mas há algo que tenho sempre presente é que não irei desistir de mim mesma.
Os verões sempre foram para mim tempos de corte, de mudança, de quebra de página., então sentir-me perdida, a vaguear sem rumo, neste verão, tem permitido praticar forte e ativamente (mais que qualquer outra coisa) a minha capacidade de fuga.
Talvez tenha de colocar de lado esta necessidade de fuga pelo tempo que demorar a escrever este texto porque quero tentar ser o mais honesta possível.
Existem demasiadas perguntas e dúvidas na minha cabeça. Algumas achei que sabia a resposta, outras nunca me tinha questionado e outras achei que estava a ultrapassar e bem, a resolvê-las.
Posso estar super orgulhosa de mim por estes últimos 3 anos. Por ter passado um ano de merda e dois a ultrapassá-lo, a crescer, a sair de mim mesma e a tornar-me mais forte, mais eu própria, mais disposta a aprender sobre mim e a aceitar-me como sou. Bem, uma supresa dolorosa que estes últimos meses me trouxeram foi a sensação que eu não cresci porra nenhuma e que continuo a mesma rapariga (odeio esta definição de mim mesma), criança (não no melhor sentido), imatura, insensata. Uma não-adulta, dependente e insegura e perdida. E que continuo a não gostar de mim como sou. Mais do que o meu reflexo ao espelho, não consigo olhar para o reflexo da minha identidade e gostar de mim, não consigo aceitar que sou como sou.
Por isso me escondo em livros, romances e fantasias. Por isso me escondo nas horas de sono, nas séries de televisão, nas vidas dos meus ídolos. Por isso não me permito tirar um dia para olhar para mim mesma à luz do dia, para me desenhar, para me escutar verdadeiramente: porque sei que todo o otimismo do mundo não conseguirá chegar à parte que está partida dentro de mim, não conseguirá remendar esta dor, esta insegurança, este ódio por mim mesma.
Pensei que estivesse a melhorar, que estivesse a retirar camadas de proteção e a aprender a olhar para a minha verdadeira imagem e não para as ilusões. Pensei que estivesse a aprender a respeitar quem sou, mas acho que cai novamente, sinto que me derrubei (e deixei derrubar) e que estou a cair no poço.
Acho que tenho algumas opções pela frente, algumas decisões para tomar: deixar-me cair, fechando-me às pessoas que estão comigo, ou estender a mão, pedir ajuda para não me afogar (como prometi que faria), dar uma oportunidade a mim mesma, não desistir e não me afogar, não me isolar.
Eu sei o que vou escollher. Mas não é como se ficasse bem de um momento para o outro. Não é como se voltasse de repente à superficie e ficasse tudo bem. Não é como se me pudesse recurar a mim mesma e voltar a ser exatamente quem era no mês de Junho. Tenho uma ferida a curar, e depois mais uma cicatriz para aprender a amar. Tenho uma escadaria gigante e árdua para subir e tenho uma mão para estender (talvez a parte mais difícil). De quem era antes ficam as fotografias, as memórias e as aprendizagens. Hoje sou já um retrato mais completo e complexo de mim própria. Sou eu mais profundamente representada, mais detalhadamente descrita, mais dolorosamente consciente.
Posso não gostar de muitas coisas em mim, mas há algo que tenho sempre presente é que não irei desistir de mim mesma.
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