História 2
Fechei os olhos deixando sentindo o prazer a percorrer-me ao ouvir as gargalhadas das crianças que brincavam à beira do rio. O sol batia no meu rosto mas o vento não me permitia sentir quente.
Podia ficar ali para sempre.
Um grito. Foi o único aviso que antecedeu a tragédia.
Abri os olhos e corri para a água mesmo antes de saber o que se passava. Aquele grito era um pedido de ajuda. Um pedido de ajuda a mim. E a minha vida estava contida naquele pedido.
Olhei para a água à espera de ver a minha menina a chorar na areia porque as conchas magoavam os pés. Esperava vê-lo a seu lado dizendo que estava tudo bem. Mas ela não estava. A minha menina de preciosos cachos de ouro não estava na areia. Não brincava à beira do rio. Não estava em lado nenhum.
Ele apareceu no meu do rio.
"Onde ela está?"
O seu olhar devia ter-me dito. Aqueles olhos escuros cheios de dor e medo deviam ter-me avisado.
Corri até ao rio e comecei a nadar até onde ele tinha mergulhado.
Olhei à volta. Ele tornou a subir.
"Onde é que ela está?" A minha voz era uma súplica.
"Não sei. Eu não sei."
O desespero devia ter-me feito ter consciência. Gritei o nome dela antes de mergulhar. Não a vi em lado nenhum. Tornei a gritar.
O silêncio era assustador. Só queria ouvir a sua preciosa voz. Só por uma vez! Eu tinha de ajudá-la!
Ouvi as sirenes antes de as ver. Tiraram-me da água.
"Onde é que ela está?"
Ele juntou-se a mim. Ele tentava lutar e voltar para a água. Aquela luta parecia-me sem importância.
"Vai ficar tudo bem. Eles vão encontrá-la." Na sua voz faltava a confiança que me faria acreditar nele. A sua voz não me despertou a atenção. A única voz que eu queria ouvir era a que eu não estava a ouvir.
Ele abraçou-me.
"Vamos. Vamos encontrá-la."
Já era de noite. Tirámos as mantas e corremos pela praia a chamar por ela.
O silêncio respondeu-nos.
Tentei atirar-me à água para poder procurá-la mas impediram-me.
"É de noite, senhora. Se ela estivesse viva nós teríamos ouvido ou visto a criança."
As únicas palavras que eu ouvi foram «Se ela estivesse viva...»
O meu coração começou a partir-se aos bocados e o meu peito rasgou-se.
Cai de joelhos e abracei-me sentindo o meu mundo a desmoronar. As lágrimas ácidas faziam os meus olhos arderem.
"Ela está viva! Ela está viva!" Senti a minha garganta a romper-se pela violência dos meus gritos. Ele abraçou-me.
"Shhh. Nós vamos encontrá-la."
"Ela está viva. Ela está viva. Ela está viva. Ela está viva. Ela está viva." Continuei a repetir isto para mim própria como uma ladainha. Como um talismã que me impediria de pensar na outra opção. "Ela está viva. Eu sei. Ela está viva."
"Shhh."
"Encontraram alguém."
Levantei-me e corri. Era ela! Era a minha menina. Mesmo de noite reconhecia aqueles caracóis de ouro e aquele fato de banho colorido. Era ela!
A minha corrida foi travada por umas barras no meu estômago. Não, não eram barras. Eram braços.
"Não pode passar daqui."
"Minha. Ela é a minha filha. Ela está viva."
Eu vi o médico perto dela.
"Ela está viva."
O médico cobriu-a.
"Ela está viva."
Ele caminhou para mim com o pesar evidente nos seus olhos.
"Ela está viva."
"Lamento."
A dor tornou-se demasiado. Ouvi alguém a gritar e percebi que era eu. A dor rompeu-me e eu senti a escuridão e envolver-me.
"Ela está viva."
Então, rendi-me à inconsciência.
Podia ficar ali para sempre.
Um grito. Foi o único aviso que antecedeu a tragédia.
Abri os olhos e corri para a água mesmo antes de saber o que se passava. Aquele grito era um pedido de ajuda. Um pedido de ajuda a mim. E a minha vida estava contida naquele pedido.
Olhei para a água à espera de ver a minha menina a chorar na areia porque as conchas magoavam os pés. Esperava vê-lo a seu lado dizendo que estava tudo bem. Mas ela não estava. A minha menina de preciosos cachos de ouro não estava na areia. Não brincava à beira do rio. Não estava em lado nenhum.
Ele apareceu no meu do rio.
"Onde ela está?"
O seu olhar devia ter-me dito. Aqueles olhos escuros cheios de dor e medo deviam ter-me avisado.
Corri até ao rio e comecei a nadar até onde ele tinha mergulhado.
Olhei à volta. Ele tornou a subir.
"Onde é que ela está?" A minha voz era uma súplica.
"Não sei. Eu não sei."
O desespero devia ter-me feito ter consciência. Gritei o nome dela antes de mergulhar. Não a vi em lado nenhum. Tornei a gritar.
O silêncio era assustador. Só queria ouvir a sua preciosa voz. Só por uma vez! Eu tinha de ajudá-la!
Ouvi as sirenes antes de as ver. Tiraram-me da água.
"Onde é que ela está?"
Ele juntou-se a mim. Ele tentava lutar e voltar para a água. Aquela luta parecia-me sem importância.
"Vai ficar tudo bem. Eles vão encontrá-la." Na sua voz faltava a confiança que me faria acreditar nele. A sua voz não me despertou a atenção. A única voz que eu queria ouvir era a que eu não estava a ouvir.
Ele abraçou-me.
"Vamos. Vamos encontrá-la."
Já era de noite. Tirámos as mantas e corremos pela praia a chamar por ela.
O silêncio respondeu-nos.
Tentei atirar-me à água para poder procurá-la mas impediram-me.
"É de noite, senhora. Se ela estivesse viva nós teríamos ouvido ou visto a criança."
As únicas palavras que eu ouvi foram «Se ela estivesse viva...»
O meu coração começou a partir-se aos bocados e o meu peito rasgou-se.
Cai de joelhos e abracei-me sentindo o meu mundo a desmoronar. As lágrimas ácidas faziam os meus olhos arderem.
"Ela está viva! Ela está viva!" Senti a minha garganta a romper-se pela violência dos meus gritos. Ele abraçou-me.
"Shhh. Nós vamos encontrá-la."
"Ela está viva. Ela está viva. Ela está viva. Ela está viva. Ela está viva." Continuei a repetir isto para mim própria como uma ladainha. Como um talismã que me impediria de pensar na outra opção. "Ela está viva. Eu sei. Ela está viva."
"Shhh."
"Encontraram alguém."
Levantei-me e corri. Era ela! Era a minha menina. Mesmo de noite reconhecia aqueles caracóis de ouro e aquele fato de banho colorido. Era ela!
A minha corrida foi travada por umas barras no meu estômago. Não, não eram barras. Eram braços.
"Não pode passar daqui."
"Minha. Ela é a minha filha. Ela está viva."
Eu vi o médico perto dela.
"Ela está viva."
O médico cobriu-a.
"Ela está viva."
Ele caminhou para mim com o pesar evidente nos seus olhos.
"Ela está viva."
"Lamento."
A dor tornou-se demasiado. Ouvi alguém a gritar e percebi que era eu. A dor rompeu-me e eu senti a escuridão e envolver-me.
"Ela está viva."
Então, rendi-me à inconsciência.
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