O meu corpo de verão

Chegou o verão e o momento de ir (finalmente) para a praia. De facto, é para lá que estou a ir neste momento (sorry, not sorry). E como em todos os anos, chegou aquele momento de insegurança, aquela pequena dor de barriga a pensar em vestir um bikini e desfilar por um areal. Acho que já não consigo encarar este momento sem me preocupar minimamente.
Não me vou colocar aqui a dissertar sobre a quantidade de artigos que vejo todos os anos com dicas para emagrecer, como ter a barriga lisa perfeita ou acabar com a celulite, pois ficaria aqui o dia inteiro. Mas tenho de louvar o aumento de artigos que dão prioridade aos hábitos de vida saudáveis, que aumentam de facto o nosso bem-estar durante as férias.
Tenho de confessar que não penso em dietas ou exercícios extra, de verão, a não ser uma semana antes de ir de férias (quando começo a perceber que vou de facto desfilar numa praia).
Venho falar do meu corpo, o meu corpo que de mantém escondido todo o ano e que é "corpo de verão" todo o ano:
As minhas coxas que tremem quando pulo, que parecem seriamente uma daquelas gelatinas treme-treme (alguém ainda se lembra dessa publicidade?). Que têm marcas, celulite e aquelas linhas mais ou menos finas, brancas, que contam as histórias do meu amor e desamor pela comida e por mim mesma, e das experiências que vivi (se calhar não de forma tão adaptativa). As minhas pernas podiam descrever a minha linha de vida (ainda tenho aquela cicatriz naquela queda feia que fiz numa manha de Domingo há muuuuitos anos atrás). E as minhas ancas meio-que-largas sobre as quais tenho sentimentos ambivalentes.
A minha barriga que só é "lisa" quando vista de algumas perspectivas. Que também tem marcas, que tem pequenos pelos escuros, que tem um umbigo saido.
E uns seios pequenos e leves onde, por vezes, cresce um pêlo inconveniente, que tiram um bocado o efeito àqueles decotes matadores, para os quais compro sutiens amorosos, do tamanho mais pequeno (ou quase) existente, e que eu louvo quando vou correr e percebo que eles não ficam a abanar como doidos com vontade própria.
Os meus braços e costas que mostram que o meu corpo ainda não saiu totalmente da puberdade (se calhar é uma indirecta do meu corpo).
E, no topo de todo este corpo, a minha cabeça com imeeeenso cabelo maravilhoso (mais maravilhoso nuns dias do que noutros), com os olhos azuis que toda a gente elogia, com um sorriso pelo qual os meus amigos me identificam (isso e o meu cabelo!) e uma borbulha que de vez em quando irrompe pela minha pele qual vulcão.
Sei que vocês adoraram toda a descrição detalhada. Mas qual é o meu ponto? O meu corpo, e o vosso corpo, mais ou menos definido, com mais ou menos marcas, pelos, curvas, é o corpo de verão definitivo e real. Não estou a dizer que vou deixar a alimentação saudável ou outros hábitos de lado. Aliás, devemos sempre adoptar um estilo de vida saudável para bem do nosso corpo e mente! Estou a dizer que a perfeição só se atinge quando desfilamos o nosso corpo pelo areal e não nos sentimos inferiores ou envergonhados pelas marcas que guardamos na pele.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O que é o essencial?

Pele

Feliz Dia Internacional da Mulher