A Vida e a Morte

Existem temas polémicos: temas intemporais (aborto), temas da sociedade actual (homossexualidade), temas de polémica momentânea que serão lembrados de ano a ano (praxe). E depois existem aqueles temas que já provém de actos antigos, principalmente acções tomadas durante a guerra (como o holocausto, que eu acho muito bem que se continue a falar dele desde que não dêem razão aos nazis [sou um bocado inflexível nesta questão]), ou mesmo a violação de mulheres durante a guerra.
Num passado mais recente, com a invasão do Iraque e afins (sem qualquer desconsideração por outros países, mas posso dizer que não sou propriamente conhecedora destes conflitos), ou mesmo as revoltas de Primavera Árabe, deu-se a conhecer ao mundo casos de violação de mulheres, tenham sido estas soldados americanas ou civis que apenas assistiam ou estavam no lugar errado, à hora errada. A guerra, ou conflitos, não são justificação! Não devem ser! E se estes forem dados como justificação, esta não deve ser aceite! Onde já se viu, mulheres com mais ou menos direitos, em qualquer parte do mundo, serem vítimas de violação só porque os homens não conseguem conter a sua excitação? Ou porque se sentem tão poderosos, invencíveis e eufóricos que se acham no direito de fazer tudo?
Mas afinal não é assim tão inexplicável. Reparem nos conflitos que ocorrem nos estádios de futebol, antes, durante ou após dos jogos. Homens movidos por emoções fortes acham-se no direito de insultarem, de agredirem de humilharem outros justificando isso com as suas emoções (Reparem que estou a falar de homens no geral mas isso não significa que mulheres também não o façam!). Ou fazem-nos devido à influencia do seu grupo, dos comportamento do seu grupo. E o único motivo pelo qual isto perdura é devido à falta de punição dura, que fará com que pensem duas vezes antes de tornarem a repetir o mesmo comportamento. Será que a existência de uma punição dura sobre aqueles que violam as mulheres pode parar essas violações? E quão dura deverá ser essa pena?
Muitas pessoas argumentam que esses homens devem ser castrados. Outros, mortos. Penas duras, sem dúvida. Mas tão duras??
O ponto é: violar, maltratar, humilhar, agredir, insultar, matar Homens é errado! Sim, é crime. Mas para além disso, as pessoas deveriam ter consciência de que estão a fazer algo de mau a um ser igual a eles! Exactamente igual! Seja homem ou mulher! Seja branco ou negro, chinês ou indiano! Somos seres humanos e o desejo que sentimos de os magoarmos é errado! Podem defender-se que é o instinto animal, no entanto nós, ao contrário dos animais, somos racionais, e só em condições muito excepcionais é que deixamos esse instinto guiar-nos. E se estamos perante essas condições é porque não estamos a fazer o que é certo com a nossa vida, nem com o nosso mundo!
Eu sou Humana! Sou um ser humano e escolho levantar-me contra estas agressões, contra esta violência! Escolho ser racional e não animal! Escolho pensar e decidir por mim e não deixar que os outros (ou as minhas "emoções fortes") decidam por mim! Escolho sair de casa todos os dias e olhar para todas as pessoas com quem me cruzo como iguais a mim, sem maiores obrigações que as minhas, e com os mesmos direitos. Escolho ser simpática para todos e não indiferente ou agressiva. Escolho não discutir, e quando discutir, escolho pedir desculpa e aceitar as consequências!
Ninguém tem direito sobre o próximo! Ninguém tem o direito de decidir quem morre e que vive. Quem é rico e quem é pobre. Quem tem direito à protecção e quem é posto na linha da frente como isco ou como muralha para os outros. Ninguém!
Pensem bem na próxima vez que falem sobre a pena de morte, pensem bem na próxima vez que falam sobre o quão justificado é matar alguém quando nos ameaçam! Pensem bem qual é o vosso direito sobre os outros, qual é o vosso poder. Porque um dia podem ter a vossa própria vida (sanidade, saúde, etc.) nas mãos de alguém, e nunca saberão qual será a sua decisão.
Levantem-se contra a diferenciação do poder.


PS. Não, eu não estou a defender que não deva haver penas de prisão para quem comete crimes. Deve haver, sim! Mas, ao matarmos um assassino, não estaremos a tornar-nos num?

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