O Fim do Mundo

Uma amiga desafiou-me a pensar o que seria para mim o fim do mundo e imediatamente comecei a tentar definir: estaríamos a falar de um momento? de um lugar? de um acontecimento ou situação? O que é que era suposto representar o fim do mundo?

Curiosamente, nenhum dos conceitos que me passavam pela cabeça estava imediata ou literalmente relacionados com finais ou términos. Entre as minhas ideias estiveram presentes a imagem de uma escada em caracól infinita, uma aldeia abandonada, uma rua deserta, um cemitério, a cegueira de alguém, o som de uma forte queda de água, um sentimento de vazio, de perda. Conceitos tão negativos e escuros.

Então decidi aprofundar este conceito. O que é o fim do mundo para mim pessoalmente?
Não penso imediatamente em destruição, mas antes em vazio ou ausência: ausência de cor, de vida, de sentimento, de Amor.
O fim do mundo para mim é quando as pessoas passam sem se verem ou tocarem.
O fim do mundo para mim é quando alguém vira o rosto à misericórdia.
O fim do mundo para mim é quando alguém chora por dentro sem ser ouvido.
O fim do mundo para mim é quando as pessoas sofrem sózinhas.
O fim do mundo para mim é solidão, o isolamento e o individualismo humanos, é a incapacidade e a fuga de ser intímo e vulnerável. É a rejeição do que nos torna humanos: o amor e a misericórdia.
O fim do mundo é quando perdemos a fé nos outros e em nós mesmos. O fim do mundo é viver sem fé ou esperança ou amor.
O fim do mundo para mim é caminhar sózinho numa estrada, é caminhar sem Deus.

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